Conversando com o Pr. Cirilo

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o mês de dezembro, dias 2, 3 e 4, a Igreja Batista Filadélfia em Taguatinga – DF realizou um encontro de jovens denominado Congresso Autênticos, cujo tema era Retomada. Na ocasião, entre outros convidados, recebeu o Pastor Antônio Cirilo, da Igreja Batista de Contagem – MG e Líder do Ministério Santa Geração. A redação teve o privilégio de entrevistá-lo aqui e reproduz para que você seja edificado.
Redação: Pastor Cirilo, o senhor esteve na nossa igreja há bastante tempo e volta agora para ministrar num congresso cujo tema é Retomada. O que a igreja brasileira precisa retomar?
Pr. Cirilo: Na verdade, a igreja brasileira está num novo momento. A gente considera como religião quando você tenta sacramentar, sacralizar, tornar santo algo que Deus fez no passado, ficar cultuando o passado. Você vai a Jerusalém e vê os judeus ortodoxos ainda com aquela roupa antiga, achando que aquilo traz santidade, você tenta santificar aquilo que Deus fez. Mas Deus continua fazendo. A nuvem de Deus está se movendo. Então, se a igreja brasileira tem que retomar alguma coisa, é retomar essa inteligência espiritual de que Deus está em movimento e aprender a mitificar onde a nuvem está agora. Hoje é tempo de milagres, tempo de salvação. Nunca foi tão fácil evangelizar e ganhar almas no Brasil como nós temos vivido nos dias de hoje. Então nós temos que despertar para isso.
Redação: Como o senhor vê a igreja brasileira?
Pr. Cirilo: Vejo uma igreja que cresceu muito em quantidade e a quantidade sempre dilui. A quantidade sempre diminui a qualidade. Nós estamos num tempo de colheita. Estamos ainda vivendo esse tempo, mas virá um tempo de reciclagem, quando a fé vai ser colocada à prova. E eu creio que Deus vai dar uma balançada na igreja, mas ela não vai parar de crescer. Há cinco anos, Deus me deu uma palavra de que, em 35 anos, nós seremos, 65% da nação será evangélica. Já se passaram cinco anos. Naquela época, não podia, mas hoje, cinco anos depois, você já pode ler numa revista de negócios esses homens que fazem prospecção de mercados futuros dizendo que, daqui a vinte anos, vai mudar o estilo de roupa, o estilo de novela, de filme, de música, porque a população vai mudar culturalmente. Na verdade, a palavra cultura vem da forma de um povo, de uma nação prestar culto. Então, se a cultura brasileira vai mudar, é porque o culto vai mudar. As pessoas, cada vez mais, estão vindo para Deus. E o que tem ajudado muito nisso é a abertura da televisão. Nunca houve tantos pregadores na televisão, no rádio. Os meios de comunicação estão mais democráticos agora, falando de Deus.
Redação: Essa entrada da igreja brasileira na televisão, na mídia tem trazido também muito conflito. Muita gente fala que estão mercadejando o evangelho. O que o senhor pensa a respeito?
Pr. Cirilo: Sempre se mercadejou, não é? Tempos mais, tempos menos. Agora está muito em evidência. Em alguns casos, muito extremados. As pessoas visam mais o lucro, até mesmo porque pagar tudo aquilo ali é uma despesa muito alta. Estamos falando de despesa de milhões que têm que vir de algum lugar. Então, eu vejo aquilo ali não com maus olhos, vejo como uma dinâmica de se arrecadar para poder pregar. Antes que seja pregado do que que não seja pregado. Se precisa arrecadar para pregar, que se arrecade e que se pregue, porque, quando Jesus voltar, todo o dinheiro que você possui vai ficar, todo o dinheiro que você gastou vai ficar, o que você guardou vai ficar, o que as pessoas arrecadaram vai ficar, tudo vai ficar. Só as almas vão subir. Então, se tudo isso resulta em almas, que seja feito. Com ética, claro.
Redação: Qual a maior dificuldade de se viver o verdadeiro evangelho neste tempo?
Pr. Cirilo: Nós vivemos hoje um tempo sem muitas dificuldades. Isso é até um problema, porque o nível, a qualidade da fé é raso, pois são as dificuldades que nos fazem exercitar a nossa fé. Hoje a gente vive em um país muito livre, com uma liberdade religiosa muito grande e que tem aumentado cada vez mais. Então, não tenho visto muita dificuldade, não, até mesmo porque tenho viajado como missionário, tenho ido a países como a Turquia, Jordânia, países do Oriente Médio, Dubai, etc, Chipre e ali, sim, há dificuldades. As vezes, você prega na Europa em igrejas de oito, nove pessoas. E são igrejas de décadas. Não é igreja que abriu ontem. As pessoas estão ali felizes porque têm dez, doze membros. Então eu não vejo nenhum nível de dificuldade aqui. Talvez as pessoas que não têm acesso a essas informações vejam essas dificuldades. Eu não vejo.
Redação: O senhor falou que, com o aumento da quantidade, diluiu um pouco a qualidade. O que a igreja pode fazer para melhorar a qualidade?
Pr. Cirilo: Isso o tempo resolve. O tempo é corrosivo. Ele corrói. Aquilo que não está protegido de verdade, o tempo consegue corroer. Com a questão do tempo, a qualidade vai se manifestar, porque a baixa qualidade, a pregação, a doutrina errada não vai funcionar. No reino de Deus, dois mais dois só dá quatro. Então, às vezes, se pregam uma doutrina errada e isso não funciona, com o tempo, as pessoas caem na real. O tempo vai corroendo aquele mal e vai aperfeiçoando. Você vê frequentemente pessoas que defendiam posições e hoje mudaram de posição. Houve um tempo em que televisão na Assembléia de Deus era pecado. Hoje eles são donos de emissoras. Então, o tempo tem esse poder de convencimento. O que é certo prevalece e aquilo que é errado se vai.

Redação: O senhor foi conhecido no princípio como ministro de louvor. Hoje parece que o foco está mais na pregação da palavra. O que mudou?
Pr. Cirilo: Não. Não mudou. Eu sempre usei a música para pregar a palavra. Ora eu prego cantando, ora eu prego falando, mas sempre pregando a palavra. Se você fizer uma análise das canções, das letras das músicas, é a Bíblia romanceada.
Redação: O senhor tem andado muito por aí, ministrado em muitos lugares. Como vê os ministérios de adoração nas igrejas, as equipes de louvor e a própria adoração na igreja? Pr. Cirilo: Tem muita coisa boa. É incrível. Tem lugar aonde a gente chega que dá até medo de tocar depois de ver algo tão bom. O nível tem subido. E da igreja como um todo. O nível social tem subido, tem subido também o senso crítico dos irmãos, tem melhorado muito, além da condição financeira, o que é visível. Você vê muito pouco crente abaixo da linha de pobreza. Então, não é só uma questão de prosperidade material. Tem todo um contexto social. A pessoa prosperou materialmente porque algo dentro dela mudou. Então, esse nível social foi elevado, o nível crítico foi elevado e as pessoas vão querendo coisas melhores. E há também a globalização. Hoje a informação está na ponta do seu dedo pela Internet. As pessoas foram vendo outros grupos de louvor, de outros países e um vai melhorando o outro.
Redação: A tônica da pregação do senhor hoje foi a fé. O que é preciso para ter uma fé sempre viva e um coração sempre aquecido?
Pr. Cirilo: As obras. A fé sem obra é morta, a fé com obra é viva. A gente fala muito em avivamento. O que é avivamento? É uma fé viva, uma fé acompanhada de atitudes, de obras. Existe uma confusão doutrinária com relação a obras na igreja, uma doutrina criada que não é uma doutrina bíblica, uma doutrina antiespiritismo, anticatolicismo porque eles se firmam muito nas obras. O que a Bíblia realmente diz? Lá em Romanos 3.28, diz que o ser humano é salvo pela fé independentemente das obras da lei. Obra da lei é a circuncisão, guardar dias e todos aqueles sacrifícios que hoje são abominações, porque um único sacrifício já foi oferecido de uma vez por todas, que é o sacrifício de Cristo. Nenhum outro sacrifício irá ser aceito por Deus além do sacrifício de Cristo. Porém, lá em Tiago 2.14, diz que a fé sem obras é morta. Da mesma forma como, se você despedir uma pessoa faminta sem dar o que comer, apenas falar com ela: vá e fique saciada não vai resolver o problema da fome, da mesma forma como só uma palavra não vai saciar o problema da fome, também só a fé não vai trazer vida, não vai saciar a sua fome. Você tem que fazer alguma coisa. Hoje, por volta do meio-dia, ao ir a um restaurante, nós nos deparamos com uma família, provavelmente de viciados: crianças, esposa e um homem, que estava pedindo. Estava ali com os pastores e fomos lá dar um dinheiro e conversar com eles. Não basta você só crer que Deus pode transformar. Você tem que fazer alguma coisa para que esse amor de Deus seja demonstrado, para que ele se sinta amado de verdade. Uma coisa é falar: Jesus te ama. Você tem que mostrar isso também. Faça algo que fale sem palavras. São Francisco de Assis tinha uma frase famosa que dizia: “Pregue o evangelho. Se for preciso, use as palavras”. É nesse sentido. Então, o avivamento não é avivamento se não é uma fé com atitudes. A fé sem obra é morta, é uma fé sem vida.
Redação: Por que parece ser tão difícil crer?
Pr. Cirilo: Não é difícil crer. Talvez a questão esteja no entendimento. Como eu disse hoje, existem dois tipos de fé: a fé humana e a fé divina. A sua fé humana sente dor, sente dúvida. É por isso que dizem ser tão difícil crer. Por que duvida tanto? Porque você está ainda com a ferramenta errada. Você tem que usar essa fé para pedir a Deus o dom da fé, a fé sobrenatural. Quando ele entra em você, você não tem dúvida nenhuma, anda sobre as águas com tranquilidade.
Redação: Já disseram que os jovens são a força da igreja. Este congresso chamado Retomada foi realizado pelo jovens desta igreja. O que fazer para não deixar a unção passar e ser apenas mais um congresso, só mais um movimento?
Pr. Cirilo: Na verdade, a força da igreja é o Senhor. Na Europa, é muito comum você encontrar igrejas com muitos velhos e encontrá-los tão animados quanto os jovens. Então, na verdade, a gente tem que ter esse foco de que a força é o Senhor. É só não tirar os olhos dEle. Olhai para Ele e sereis iluminados. Então, o Senhor é o segredo da coisa. O segredo não está no evento, não está na música, não está naquilo que você fala. É o endereço, é o céu, é o trono de Deus, é a pessoa do Senhor. Esse é o segredo, é o foco. Você tem que ajustar o seu foco e não se perder. Então, o movimento é muito bom. O movimento é sempre inclusivista. Outros jovens vão chegando, vão se agregando à igreja, mas não substituem o poder de Deus. Tem que manter o foco.
Por: Ricardo e Keila Vilas Bôas.Fotos: André Gomes.



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